segunda-feira, 30 de abril de 2012

O poeta Fernando Pessoa

Tudo quanto penso
Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.
Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.



Ó terras de Portugal
Ó terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Inda gosto mais de ti.


Fernando António Nogueira Pessoa - Nascido em Lisboa no dia 13 de junho de 1888 faleceu com 47 anos em 30 de novembro de 1935. Foi aos 06 anos de idade para África do Sul após o segundo casamento de sua mãe.
Foi correspondente de língua inglesa e francesa, empresário, crítico literário, editor, comendador político, jornalista, tradutor, inventor, publicitário e astrólogo.
Perdeu o pai aos 05 anos de idade, um ano depois também perdeu o irmão caçula e uma irmã em 1901.
Fernando Pessoa desde pequeno já demonstrava ter talento para a literatura e criou heterónimos: 
Alberto Caeiro – É o poeta que busca as sensações das coisas tais como são.

Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

Ricardo Reis – Linguagem contida e disciplinada e versos curtos.

Não Sei
Não sei de quem recordo meu passado
Que outrem fui quando o fui, nem me conheço
Como sentindo com minha alma aquela
Alma que a sentir lembro.
De dia a outro nos desamparamos.
Nada de verdadeiro a nós nos une
Somos quem somos, e quem fomos foi
Coisa vista por dentro.

Álvaro de Campos – Vontade de conquista, amor à civilização e ao progresso.

Eu, eu mesmo


Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
Ainda que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

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