segunda-feira, 9 de julho de 2012

Árvore verde
Árvore verde,
Meu pensamento
Em ti se perde.
Ver é dormir
Neste momento.
Que bom não ser
'Stando acordado !

Também em mim enverdecer
Em folhas dado !
Tremulamente
Sentir no corpo
Brisa na alma !
Não ser quem sente,
Mas tem a calma.

Eu tinha um sonho
Que me encantava.
Se a manhã vinha,
Como eu a odiava !

Volvia a noite,
E o sonho a mim.
Era o meu lar,
Minha alma afim.
Depois perdi-o.
Lembro ? Quem dera !
Se eu nunca soube
O que ele era.

Fernando Pessoa - (Domínio Público)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O poeta Fernando Pessoa

Tudo quanto penso
Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.
Extensão parada
Sem nada a estar ali,
Areia peneirada
Vou dar-lhe a ferroada
Da vida que vivi.



Ó terras de Portugal
Ó terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Inda gosto mais de ti.


Fernando António Nogueira Pessoa - Nascido em Lisboa no dia 13 de junho de 1888 faleceu com 47 anos em 30 de novembro de 1935. Foi aos 06 anos de idade para África do Sul após o segundo casamento de sua mãe.
Foi correspondente de língua inglesa e francesa, empresário, crítico literário, editor, comendador político, jornalista, tradutor, inventor, publicitário e astrólogo.
Perdeu o pai aos 05 anos de idade, um ano depois também perdeu o irmão caçula e uma irmã em 1901.
Fernando Pessoa desde pequeno já demonstrava ter talento para a literatura e criou heterónimos: 
Alberto Caeiro – É o poeta que busca as sensações das coisas tais como são.

Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista a chave,
Escondem o horizonte, empurram nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,

E tornam-nos pobres porque a única riqueza é ver.

Ricardo Reis – Linguagem contida e disciplinada e versos curtos.

Não Sei
Não sei de quem recordo meu passado
Que outrem fui quando o fui, nem me conheço
Como sentindo com minha alma aquela
Alma que a sentir lembro.
De dia a outro nos desamparamos.
Nada de verdadeiro a nós nos une
Somos quem somos, e quem fomos foi
Coisa vista por dentro.

Álvaro de Campos – Vontade de conquista, amor à civilização e ao progresso.

Eu, eu mesmo


Eu, eu mesmo...
Eu, cheio de todos os cansaços
Quantos o mundo pode dar. —
Eu...
Afinal tudo, porque tudo é eu,
E até as estrelas, ao que parece,
Me saíram da algibeira para deslumbrar crianças...
Que crianças não sei...
Eu...
Imperfeito? Incógnito? Divino?
Não sei...
Eu...
Tive um passado? Sem dúvida...
Tenho um presente? Sem dúvida...
Terei um futuro? Sem dúvida...
Ainda que pare de aqui a pouco...
Mas eu, eu...
Eu sou eu,
Eu fico eu,
Eu...

domingo, 29 de abril de 2012


Por que escrever?

"Escrever porque muitas vezes temos algo engasgado n'alma...
Algo que fascina, contagia e não queremos mais parar, viagens pelo universo...
Algo que queremos gritar ao vento...
Algo que nos faz amar... amar!
Amor, saudade, paixão...tantos sentimentos!"





Uma rosa na janela

Ao abrir a janela, todos os dias eu a vejo lá
Sinto imensa satisfação e a alegria invade meu coração
Percebo que é um milagre essa imagem
Está sempre em flor
Um botão lá, outro acolá
Fico a fitá-la, horas a fio
Imaginando como pode essa obra tão perfeita estar ali todos os dias
É o quadro mais precioso que poderia ter
Ela está lá... imóvel... apenas o beijo do vento
Mas... de repente percebo que também... Ele está lá
Chega de mansinho, sempre com uma palhinha entre o bico
O seu ninho ainda não está pronto
Por isso, são muitas idas e vindas
Ele prepara nos galhos “dela”, a sua morada
Como ele percebe? Como sabe?
Como o pássaro pode ver além dos nossos olhos?
Escolheu o lugar perfeito... belo
Companheiro e companheira
Pássaro e Flor
Que simplicidade é a vida
É ela que nos inspira, que nos ensina
É simples e bela
É a Rosa...
A “Rosa”, na janela!
  

Sueli em Por Trás da Cortina

 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Dizem que um guerreiro
Só descansa quando morre
Pela lâmina da espada,
Pelo tiro de fuzil,
Pelas pernas que não andam,
Pela amada que partiu.

Por Trás da Cortina

quarta-feira, 25 de abril de 2012



Grande Encontro - Por Trás da Cortina

Parei na ponte para contemplar
O encontro do Sol
Com as águas do Mar
Talvez fenômeno igual
Não irei mais presenciar
Difícil...
É passar no mesmo lugar
Onde será o encontro
Do Sol com as águas do Mar!!!



segunda-feira, 23 de abril de 2012



Andorinhas - Por Trás da Cortina
 
Todos os dias ao amanhecer
No céu que começa a clarear
Vemos a Lua que timidamente vai se escondendo
Pra que o Sol possa chegar...
Ainda há sinais da noite que se finda
É nesse momento que elas surgem...
Lá estão!
Passam em bandos
Grupos espalhados no ar
Todas de maneira irregular, voam na mesma direção
Antes mesmo dos primeiros raios solares
Vão dando início a uma longa e esperada viagem
A jornada é cansativa e de vez em quando
Pousam em uma ou outra árvore
Até mesmo os fios que carregam eletricidade são úteis
Para que possam descansar
Estão indo à caça de alimentos
Que acreditam mais fartos noutro lugar
Uma cidade que está além do horizonte é o destino a guiar
Fico horas a admirar...
Imóvel para nenhum ruído provocar...
Até que o último bando se aproxima
Anunciando que por hora, aquele espetáculo vai terminar
Ai tudo volta à calmaria
Que pena!
Mais um dia inteiro para esperar
Até que o Sol timidamente vai se escondendo
Para que a Lua possa chegar
Mas não irei ter o prazer de vê-las voltar
Por isso fico só a imaginar...


Sueli

O livro “Por trás da cortina” é trabalho de estreia de Sueli de Oliveira Lima Paulo e Armando Raffaini Junior que nasceu do sonho dos autores de dizer às pessoas que há grandes valores na vida e que estão em pequenas coisas. Extraído do cotidiano vivido por cada um, o livro traz palavras de carinho e amor, numa linguagem simples em forma de textos poéticos.


Editora Usina de Letras - Rio de Janeiro - 2009

domingo, 22 de abril de 2012


Lançamento do Livro - Por Trás da Cortina
Bienal Internacional do Rio de Janeiro




Para Vocês

“Às vezes, o mundo aí fora parece ser um monstro,
que os habitantes do planeta são feras soltas prontas para atacar
mas, de repente, a sombra escura vai se dissipando e a consciência real
começa a perceber que nesse mesmo planeta também existem...
as luzes... as flores... o perfume... os anjos...”